BETO RICHA e o CONTO DE FADAS

BETO RICHA e o CONTO DE FADAS

No dia 08 de janeiro de 2018, segunda-feira última, a Presidente do STF, CÁRMEN LÚCIA ANTUNES ROCHA, visitou o complexo penitenciário paranaense de Piraquara. Isso após o episódio de desistência da visita ao presidio de Aparecida de Goiânia no estado de Goiás, onde, tudo indica, fora aconselhado no TJ-GO a não ir em razão da falta de segurança.

As autoridades paranaense mostraram o “conto de fadas” do complexo de Piraquara, a Unidade de Progressão, conhecida com UP, onde tudo parece dar certo no sistema carcerário do Paraná; bem a face do governo Beto Richa, acostumado a bombardear a população paranaense com propagandas que tentam mostrar um estado que só existe nos estúdios e edições de marqueteiros. A REALIDADE é bem outra, mas o governador não se atentou que o paranaense é um povo inteligente e já percebeu a operação “faz de conta”. A ministra Carmém Lúcia também não é nenhuma incauta, não fora ludibriada pela fanfarra governista de Beto Richa, que tentou esconder a sujeira do sistema carcerário para debaixo do tapete.

Enquanto o sistema penitenciário comporta por volta de 18.500 presos e tem um contingente de aproximadamente 19.800 encarcerados, o VERDADEIRO CAOS se encontra nas CARCERAGENS ILEGAIS em DISTRITOS POLICIAIS espalhados – e abandonados – por todo estado do PARANÁ, onde cerca de 10 MIL presos se amontoam em espaços que comportam em seu limite máximo por volta de 4,5 mil detentos, ou seja, mais que o dobro da capacidade; sem contar que as estruturas de uma delegacia não suportam a pressão da massa carcerária, ainda que houvesse adequação e respeito ao limite de presos por “vaga”, pois são espaços destinados em sua essência para o atendimento ao cidadãos paranaenses, que pagam seus impostos para terem um serviço mínimo de qualidade, mas que são prejudicado pela presença perigosa de uma legião de bandidos precária e ilegalmente encarcerados nesses distritos.

Todo os dias milhares de paranaenses se dirigem as centenas de delegacias – hoje transformadas em sua grande maioria em masmorras medievais; depósitos de presos – em busca de prestação de serviço policial. Muitas vezes não encontram ou não conseguem satisfatoriamente uma resposta do estado ao seu legítimo anseio por SEGURANÇA PÚBLICA, tendo em vista o baixo efetivo de policiais civis – não há concurso a quase uma década para preencher as vagas de investigadores e escrivães -, o que se somado ao desvio de função (investigadores trabalhando como carcereiros) impossibilita na maioria dos casos a prestação de um serviço essencial à população, o de investigação criminal. Não poderia ficar pior, no entanto, tendo em vista que o cidadão fica extremamente exposto a perigos reais quando de sua “visita” a essas delegacias, pois não raro há surtos das mais variadas doenças nessas carceragens ilegais, tais como tuberculose e meningite. O vetor de transmissão, pasmem, muitas vezes é o próprio Policial Civil, que fora abandonado pelo governo do estado à sua própria sorte sem treinamento e sequer equipamentos para realizar tal função, frise-se mais uma vez, ILEGAL e absurda. O Policial Civil que fica em contato com os presos é, em boa parte, o mesmo que atende (quando pode) o cidadão paranaense, aí a explicação de ser um vetor de contágio.

Note-se que em suma abordamos o tema sob o aspecto do desserviço dado a população em geral e ao padrão “ campo de concentração” adotado pelo governo do estado ao escolher amontoar preso sobre preso em carceragens precárias e imundas pelas delegacias no Paraná, o que proporciona um campo vasto para proliferação de doenças e risco constantes ao moradores dos entornos, pois delegacias estão em áreas urbanas e residenciais, e dado a precariedade e o descaso, as fugas em massa de presos são constantes.

Nem sequer “puxamos a brasa para nossa sardinha” ao abordar todo o problema gerado ao Policiais Civis, que estão adoecendo com a sobrecarga ilegal de afazeres estranhos à sua profissão, bem como uma carga horária de trabalho desumana imposta pela falta de efetivo, sem contar o ambiente de trabalho, que vale ressaltar, assemelha-se a campos de concentração e expõe o Policial Civil a todos os infortúnios, alguns inimagináveis para muitos que se reconfortam nas salas e escritórios refrigerados.

A ministra fora enfática ao dizer que era gravíssimo a condição dos presos no sistema carcerário paranaense, isso porque lhe fora apresentado a “Disneylândia”. Imagine se lhe fossem apresentadas as carceragens ilegais das delegacias do Paraná. Tenho certeza que ela voltaria atrás e preferiria “visitar” o presídio de Aparecida de Goiânia, mesmo com alerta de falta de segurança, pois o ambiente seria muita mais seguro do que os das carceragens/masmorras de distritos policiais paranaenses. Esse é o ambiente e condições de trabalho dos Policiais Civis do Paraná, em sua grande maioria abandonados no interior do estado. GRAVÍSSIMO seria considerado um eufemismo, caso a ministra tivesse usado para definir a condição do POLICIAL CIVIL DO PARANÁ.

 

Michel Franco
Presidente do SINDIPOL Paraná – 10/jan/2018

 

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